terça-feira, 28 de abril de 2020

VERITY




(cuidado, tem SPOILER aqui)

Ontem passei o dia em casa lendo.
 
Fazia tempo que um livro não me prendia a ponto de eu não largar antes do fim.
Que boa essa sensação de ter um lugar para onde ir, mesmo que seja a ficção.


"Verity Crawford é a autora best-seller por trás de uma série de sucesso. Ela está no auge de sua carreira, aclamada pela crítica e pelo público, no entanto, um súbito e terrível acidente acaba interrompendo suas atividades, deixando-a sem condições de concluir a história... E é nessa complexa circunstância que surge Lowen Ashleigh, uma escritora à beira da falência convidada a escrever, sob um pseudônimo, os três livros restantes da já consolidada série."

 
 
Amo Colleen Hoover e o livro de ontem (VERITY) foi o primeiro que ela escreveu no gênero thriller. Prende mesmo, até o fim. A escrita é muito fluida e envolvente, construindo a narrativa e amarrando todos os fios da história, com direito a voltas e reviravoltas.
 
O argumento é bom, bem construído e embasado, mas fiquei em duvida sobre a personalidade da Lowen. Parece que algo não bate.... desde o inicio. Ela é a típica coitadinha, mal amada pela mãe, só que não. Ela tem uma postura forte com relação ao seu profissional e aos homens, bem decidida e nada insegura. Não bate.
Da mesma forma o Jeremy, marido de Verity. Bom demais pra ser verdade, sabe? Lá pela metade  do livro eu já estava me questionando sobre a real personalidade dele.
E, para não deixar de fora, a nossa vilã muito bem embasada e contundente, se mostra a mocinha- só que não também. Nada é preto no branco.
Assim como os seres humanos, nada é 100% certo ou 100% errado.
Me questiono como uma pessoa pode continuar fingindo estar moribunda mesmo quando alguém está tentando asfixiá-la. Sem reação? Não, né!
 
No fim, o que fica pra mim é que a PALAVRA tem um poder avassalador.
Ela pode curar, mas também pode matar. Isso foi o mais impactante para mim, pois foi a partir de um manuscrito (aparentemente um mero exercício criativo), que toda a tragédia se inicia.
Sim, eles haviam perdido uma filha antes, mas isso poderia ter sido superado, não fosse a confissão através da ficção feita pela Verity de todos os outros crimes e/ou tentativas de assassinatos. Jeremy a encontra e tira conclusões precipitadas, sem deixar que ela explique. Eu não sei se deixaria também, afinal estava tudo escrito com riqueza de detalhes, explicações eram desnecessárias. A partir dai a reação dele é essencialmente vingativa. Ele planeja um acidente que pretende ser fatal para se livrar da esposa.
Ao contrário disso, ela é resgatada com vida com danos cerebrais graves, sem resposta neurológica, ao menos é o que os médicos atestam- aí outro furo da história- como assim? Ela recupera todas as funções assim que acorda do COMA, mas nenhum exame é capaz de detectar? 
Após receber alta do hospital, Jeremy se compadece- ou seja lá qual for o motivo- e a leva para ser cuidada por ele, em casa. Culpa ou penitência?

A carta escrita por ela esclarecendo toda a verdade é de uma clareza absurda....em poucas palavras precisamos deixar a imagem construida de vilã de lado e reorganizar os nossos pensamentos de maneira a compreender os motivos que a levaram a agir assim.
Mas, não se consegue entender qual o medo real dela em deixar o filho com o pai. Um pai comprovadamente dedicado e amoroso? 

Eu, se fosse ela,teria me mandado assim que possível- sim, tinha a cópia do manuscrito que ela precisaria recuperar antes de ir, para não ser acusada de assassinato.
Mas... levar o filho? Não se justifica a necessidade.

No decorrer do livro a personalidade de Verity vai sendo construída de maneira a imaginarmos um monstro frio e sem coração.
No entanto, é muito rápida a transição final, não ficando muito factível.

O que também não me pareceu muito lógica foi a atitude da Lowen de dar fim à carta- por amor- para proteger o homem que ama. Mesmo sabendo que ele é um assassino- e que no fundo ela é sua cúmplice. Isso é forte.
Outra ponta solta no perfil da personagem.

Mais uma vez, destoando da narrativa de coitadinha que tem medo de seu sonambulismo, atormentada pela mãe.
 
Uma história muito boa que adorei ter lido, mas talvez por ser sua primeira experiência no gênero, existem pontos obscuros e um tanto quanto inverossiveis que comprometem a experiência do leitor.


Repito, amo Colleen Hoover, por isso super recomendo a leitura.
 
 
 
Ana Paula