terça-feira, 12 de maio de 2020

Um lugar bem longe daqui

 
"Por anos, boatos sobre Kya Clark, a “Menina do Brejo”, assombraram Barkley Cove, uma calma cidade costeira da Carolina do Norte. Ela, no entanto, não é o que todos dizem. Sensata e inteligente, Kya sobreviveu por anos sozinha no pântano que chama de lar, tendo as gaivotas como amigas e a areia como professora. Abandonada pela mãe, que não conseguiu suportar o marido abusivo e alcoólatra, e depois pelos irmãos, a menina viveu algum tempo na companhia negligente e por vezes brutal do pai, que acabou também por deixá-la.

Anos depois, quando dois jovens da cidade ficam intrigados com sua beleza selvagem, Kya se permite experimentar uma nova vida — até que o impensável acontece e um deles é encontrado morto.

Ao mesmo tempo uma ode à natureza, um emocionante romance de formação e uma surpreendente história de mistério"

 
Como sobreviver ao abandono?  

Kya é uma menina que aprende desde cedo a arte da resiliência.
Morando no barracão da família afastado da cidade, junto ao brejo, totalmente sozinha desde os nove anos, ela viu todos que amava irem embora. Um depois do outro, restando apenas ela, a caçula. Na natureza ela encontra a força motriz que precisa para não sucumbir. Observando os animais, seus únicos amigos, ela aprende sobre amizade, comportamento e sobrevivência enquanto espera o retorno daqueles que a deixaram para trás. Nutrindo a secreta esperança de que um dia voltem para buscá-la, em especial a mãe.

Ma lhe dissera que as mulheres precisam umas das outras mais do que precisam dos homens, mas nunca tinha lhe dito como fazer parte do grupinho.

Como agir em sociedade sendo excluída dela? 
 
Sem amigas, nem família com quem contar são os  pássaros, os vaga-lumes e os louva-a-deuses seus grandes professores na arte da evolução e procriação da espécie.
Ela conta com a bondade (e caridade) de poucos e bons amigos e encontra uma forma de se manter com o mínimo, vendendo mariscos e peixe defumado.
Através de seu esforço e paixão pela natureza-sem saber ler nem escrever- ela desenvolve o seu próprio método de catalogar espécies, penas e conchas.  Mais tarde, encontra em suas andanças pelo brejo Tate, um velho amigo de seu irmão que fica encantado com ela. Os dois ficam próximos e ele ensina Kya a ler e escrever.

A sua inteligência nata aliada à vontade de aprender impressiona o menino, instantaneamente unidos por uma paixão em comum: a biologia.   
Kya, um pouco arisca no inicio, aos poucos aprende a se abrir e confiar pela primeira vez em alguém. E os dois, através da amizade, descobrem o amor.  Prestes a entrar na faculdade, Tate precisa fazer uma escolha entre o amor por Kya e o amor pelo conhecimento.
 

"Vamos ser honestos, muitas vezes o amor não dá certo. Mas, mesmo quando fracassa, conecta você aos outros, e no fim isso é tudo o que você tem: conexões."

 
E Kya mais uma vez revive a experiência do evento traumático que a marcou, o abandono.


Como seguir em frente quando a esperança inexiste?

Mas ela é definitivamente uma sobrevivente...


Quatro anos depois os dois se reencontram. Ele retorna para a cidade, já formado e ela segue na sua rotina envolvida com os seus animais e registrando todas as suas descobertas em pinturas e anotações cada vez mais impressionantes.  Ao vê-las reconhece o valor inestimável e estimula Kya a enviar seus desenhos a um editor, pois são importantes demais para não serem compartilhados.  

Tate, totalmente arrependido por ter ido embora sem se despedir e, ainda apaixonado por ela, tenta se desculpar e retomar o namoro. Porém ela manda-o embora, pois está em um relacionamento com Chase.
E, então, mais uma vez ela se decepciona ao descobrir que seu novo "amor" está de casamento marcado, na cidade.  Arrasada, imediatamente coloca um ponto final no relacionamento. Muito tempo depois do casamento, ele volta a assombrar a sua vida.

Até  o dia em que é encontrado morto e ela se torna suspeita de assassinato, levada a julgamento em uma cidade em que o preconceito impera.
"Um Lugar Bem Longe Daqui relembra que somos moldados pela criança que fomos um dia e que estamos todos sujeitos à beleza e à violência dos segredos que a natureza guarda. "
 
Os desafios e incertezas moldam destino de Kya e sua criança interior para sempre. Sem mais ninguém com quem contar, a não ser  consigo mesma, ela é uma sobrevivente em um mundo muito longe da perfeição.
Uma história de dor, amor e superação contada com muita sensibilidade por Delia Owens. Gostei bastante da forma em que a narrativa se desenrola alternando romance e mistério, culminando em um desfecho surpreendente.

Adorei saber que Reese Witherspoon adquiriu os direitos de adaptação cinematográfica e vai produzir o filme com a Fox 2000. Com certeza será um baita filme!
Recomendo a leitura,
beijo,

Ana Paula

sábado, 9 de maio de 2020

Um Jogo de Amor e Sorte


 

 


Depois de se mudar de uma pequena cidade no Maine para a Flórida, Madison Clarke aproveita a oportunidade para se reinventar, esquecer os dias de solidão e fazer parte da turma popular da escola, afinal, a nova Madison é descolada, espontânea e ousada. Porém, dizem que quanto mais alto você sobe, maior é a queda – e Madison fará qualquer coisa para impedir que sua nova vida despenque ladeira abaixo. Quem sabe o que vem pela frente nesta nova vida na Flórida?


 

É muito fácil gostar de Madison, o que não é muito fácil é estar em seu lugar. Durante a adolescência as mudanças no corpo e no comportamento são inúmeras. A transição geralmente vem acompanhada de incertezas e inseguranças. Para atravessar esse período cheio de adrenalina e turbulências emocionais nada melhor do que contar com os amigos, por isso a aprovação do grupo é tão importante.
Pois é através do outro que nos afirmamos enquanto individuos.  Quando isso acontece é uma fase linda, cheia de lembranças felizes e algumas lendas para a posteridade.  
Mas, infelizmente nem tudo são flores.
Os adolescentes podem ser extremamente maldosos.

A sorte de Madison é que ela conta com o apoio de uma família presente e amorosa, isso pode fazer toda a diferença.


Depois de sofrer bullying de todas as formas e ser escanteada durante o ensino médio em sua cidade natal, após a admissão de sua irmã mais velha (Jenna) na Universidade em NY, Madison se muda com os pais para um lugar onde ninguém a conhece.

Surge aí a oportunidade perfeita para esquecer o passado e se tornar uma nova pessoa. Em um esforço para recuperar a auto-estima, ela corta o cabelo, coloca um piercing no nariz e assume uma postura menos “invisível”.  A primeira pessoa que ela conhece na cidade, em um café, é Dwight. Um cara simpático, bonitinho e “nerd”. E ela fica feliz quando descobre que estão na mesma escola, pois sabe muito bem a importância dos amigos. *(ou a falta deles).

Em um golpe de sorte, na sua primeira festa a convite de Dwight, ela conhece o cara mais lindo e cobiçado da escola, Bryce.  Surge um clima e os dois começam a namorar, imediatamente ela se torna parte das populares da escola.  
Nem ela mesma, quando deixou para trás o seu passado como  Maddie Gorducha”, poderia ter imaginado que chegaria a tanto.

No entanto, como populares e nerds são inimigos declarados, ela se vê dividida entre Dwight e seus novos amigos.  Madison é uma nova pessoa, mas carrega as dores (e aprendizados) do passado, por isso não consegue se sentir 100% à vontade com as regras do grupo.

Nesse momento a essência fala mais alto.

E o coração também.

 
A renomada autora de A Barraca do Beijo, Beth Reekles, atinge em cheio o seu público alvo com esse romance. Um livro fofo e despretensioso que, de maneira simples, ensina sobre empatia e respeito, amor e pertencimento.

 

É uma leitura teen para todas as idades.

Recomendo, beijos e boa leitura!


Ana Paula

 

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Este livro veio do futuro


 

Uma jornada através de portais multidimensionais, relatividade, buracos de minhoca e outras aventuras de viagem no tempo

Marie D. Jones...


Das fantasias da cultura pop e das fantásticas teorias da conspiração até o pensamento científico de vanguarda, este livro instigante sobre a teoria, a prática, a verdade, a ficção e as conspirações envolvendo a mecânica das viagens no tempo, traz temas como: as teorias e máquinas de viagem no tempo do passado, presente e futuro; por que buracos de minhoca, universos paralelos e dimensões extras poderiam permitir a viagem no tempo; misteriosos saltos no tempo, lapsos de tempo e dobras temporais que as pessoas estão relatando pelo mundo afora; e até teorias da conspiração acerca da viagem no tempo: será que já existem à nossa volta autênticos viajantes do tempo? Prepare-se para uma grande aventura sobre os mistérios das viagens pelo tempo, espaço e pelo multiverso.


 

Sou apaixonada por tudo o que diga respeito ao que ainda não sabemos. Sou uma curiosa inveterada e sempre aberta a novas teorias e possibilidades.  Sou daquele time que pensa que o Improvável não é impossível.  E onde há fumaça, possivelmente há fogo...

  
A imaginação é mais importante do que o conhecimento. Pois o conhecimento é limitado a tudo o que agora conhecemos e compreendemos, enquanto a imaginação abarca o mundo inteiro e tudo o que ainda está à espera de ser conhecido e compreendido. – Albert Einstein


Além disso, sou uma leitora com um gosto bastante eclético. Gosto de variar alterando os estilos literários (quando não os leio simultaneamente). Após finalizar a leitura de dois romances seguidos a sinopse deste livro capturou a minha atenção.


A proposta da autora é gerar inquietação e mais perguntas do que respostas. Desacomodando e fazendo com que a pergunta reverbere cada vez mais alto: Por que não?
A narrativa segue uma sequencia lógica. Inicia questionando a nossa compreensão sobre o tempo e segue fazendo uma apresentação da evolução das teorias cientificas (comprovadas ou não) e uma possível e sonhada viagem através dele.  

Temas como buracos negros, teoria do caos, teoria das cordas, supercordas, teorias da conspiração, buracos de minhocas e dobra no tempo são  explicadas de forma relativamente simples.



A escrita é bastante acessivel (em alguns momentos com detalhes  demais), mas nada que comprometa a compreensão.

 
A abertura de cada capitulo é uma frase de impacto atribuída a grandes pensadores da história.  Evidenciando que a preocupação sobre os mistérios do tempo sempre acompanharam a nossa civilização.

 
O tempo é obra de ti mesmo; seu relógio faz tique-taque em tua cabeça.No momento em que paras de pensar o tempo também para seu movimento."
– Angelus Silesius, filósofo do século XVII”



A possibilidade de voltar no tempo para mudar alguma coisa e/ou avançar para saber se estamos agindo corretamente é um assunto recorrente em filmes e obras literárias - alguns mais ou menos embasados do que outros-  mas o fato é que desperta a nossa curiosidade desde sempre. São tantas as referencias, que existe um capitulo dedicado a todas as obras, em ordem cronológica, que se basearam em teorias da física como argumento de narrativa.
 Além das limitações ainda existentes para a realização de um salto no tempo- questão de tempo ou percepção- ,  o livre-arbitrio e a ética são abordados de maneira brilhante, para complicar um pouco mais...
 

“Uma das questões que surgem dessa aparente impossibilidade de alterar o passado é a ideia do livre-arbítrio. Se tudo se encontra em uma linha do tempo fixada, que não podemos alterar, será que nós temos alguma opção? Será que temos realmente algum livre-arbítrio? Se os resultados estão todos predeterminados e se estamos vivendo em um universo de constantes inalteráveis, onde a ideia de livre-arbítrio entra no quadro? Talvez só sejamos capazes de praticar o livre-arbítrio no presente e, como cada momento de nossa vida só é realmente experimentado no presente, temos de fato todo o livre-arbítrio que podemos querer. Mas uma vez feito, está feito.”



Conjecturas à parte, a leitura me trouxe muitos questionamentos e a certeza de que a nossa responsabilidade com o tempo muda tudo.  

 
“Queremos dominar o tempo da maneira como dominamos as pequenas coisas em nossa vida. Queremos possuir o tempo e não deixar que ele nos possua. Para completar, nós simplesmente queríamos ter mais tempo. Talvez seja essa a verdade realmente sólida por trás da nossa tentativa de controlar, manipular o referencial do tempo e até mesmo viajar pela paisagem temporal: no final das contas, talvez a verdade acerca do tempo seja que realmente só queremos mais dele.

No entanto, se nos perguntarmos por que, a resposta voltará sempre a isto: Nós todos obtemos o mesmo quinhão de tempo, pelo menos nesta ramificação do multiverso. Não é, porém, quanto obtemos dele que importa. É o que fazemos com ele.”
 
Me lembrou de Santo Agostinho e suas considerações sobre o tempo. Segundo ele, os tempos são três: presente das coisas passadas, presente das coisas futuras e presente das coisas presentes.

No fim, temos apenas o PRESENTE (todos eles). 
Que possamos disfrutar com sabedoria!
Estamos muito próximos de desvendar esse mistério, resta saber se estamos prontos para isso.

O livro é interessante para todos aqueles que queiram abrir a mente e pensar fora da caixa.


Beijos e boa leitura!


Ana Paula
   
 

sábado, 2 de maio de 2020

O ATOR INVISÍVEL

 



A leitura  surpreendente pela maneira simples de abordar a arte da interpretação; traçando paralelos com a vida e usando exemplos da cultura oriental, riquíssima de simbolismos. 

Um livro lindo, onde Yoshi nos ensina exercícios, transmite conhecimento e nos brinda com toda a sua experiência no teatro com Peter Brook, um dos mais respeitados profissionais de teatro da atualidade.

Ele nos faz perceber que somos muitos em um só e que ser ator é apenas uma das facetas do ser humano.
 

Através da leitura, entendemos o poder da repetição e da prática- com foco e atenção- em constante estado de construção e desconstrução das múltiplas camadas.

Estamos em constante aprendizado.


A técnica pode fazer um ator, mas o verdadeiro ator não é apenas técnica.




Uma verdadeira aula de atuação e de  vida.

Recomendo,



Boa leitura!

Ana Paula

TEMPO DE PARTIR


 


Faz mais de uma década que Jenna Metcalf não consegue parar de pensar em sua mãe, Alice, desaparecida em circunstâncias misteriosas logo após um trágico acidente. Jenna se recusa a acreditar que a mãe a abandonaria e continua buscando pistas on-line e nas páginas de seus antigos diários. Alice era uma cientista que pesquisava o sofrimento entre os elefantes e, nos diários, escrevia basicamente sobre esses animais que tanto amava, mas Jenna tem esperança de encontrar alguma pista sobre seu paradeiro.

Desesperada por respostas, ela convoca dois improváveis aliados: uma médium famosa por encontrar pessoas desaparecidas e o detetive que investigou originalmente o caso de Alice, assim como a estranha morte de uma das colegas dela.
Conforme trabalham para tentar descobrir o que realmente aconteceu com Alice, percebem que, ao fazer perguntas difíceis, terão respostas ainda mais duras. E, à medida que as memórias de Jenna se encaixam com os eventos dos diários de sua mãe, a história se encaminha para um hipnotizante desfecho.




 
Este livro caiu em minhas mãos indicado por uma amiga que ama ler. A sinopse, aliada à beleza da capa, despertaram de imediato o meu interesse. (Sim, eu amo capas.)
E foi assim o meu primeiro encontro com Jodi Picoult.


A história é narrada por quatro personagens em tempos diferentes- Jenna, Alice, Serenity e Virgil - nos permitindo a cada capitulo compreender melhor a sequencia de acontecimentos até chegarmos ao desfecho final da trama.



Guardar um segredo nem sempre é mentir, às vezes é proteger a pessoa que você ama.”


Ao intercalar diálogos divertidos com momentos mais sérios, o ritmo da escrita de Jodi mantém a curiosidade do leitor à medida que a história se desenrola, sendo impossível largar a leitura.

Jenna é uma menina de 13 anos que foi criada pela avó materna desde os 3. Quando sua mãe desapareceu e seu pai foi internado em uma clinica psiquiátrica.  Com uma sensação de abandono que a acompanha desde então,  ela procura nos diários de sua mãe tentar conhecê-la um pouco melhor e encontrar uma pista para o seu desaparecimento. Em busca de respostas- e principalmente de amor- ela mergulha nos acontecimentos do passado para poder seguir em frente.

Vale ressaltar que, em alguns momentos, pequenas atitudes e comportamentos são incompatíveis com uma garotinha de sua idade, mas isso foi devidamente explicado no decorrer do livro, desfazendo o mal-estar.

Ao iniciar, eu contava com o mistério, esperava encontrar uma aventura e  torci muito pelo reencontro entre mãe e filha.

Mas, o que eu não poderia imaginar - e o que mais me surpreendeu - foi que, por trás dessa procura desesperada em busca de respostas....eu seria surpreendida com uma história paralela tão ou mais apaixonante.

Nos diários de Alice – uma pesquisadora de elefantes- somos capturados pela vida selvagem e compartilhamos com ela os momentos mais sensíveis e emocionantes da narrativa.

“Os elefantes não esquecem”

E nem nós conseguimos esquecer a majestosa ternura deles. Através do olhar amoroso de Alice, conhecemos Maura, Syrah, Hester e com elas aprendemos sobre o amor e dor, sobre cuidado, maternidade, pertencimento, sobrevivência e empatia.  Somos convidados e entrar em um mundo distante, mas cheio de similaridades com o nosso.

É impossível não se apaixonar.


Ela sabia agir como mãe sem ter a responsabilidade real até que estivesse pronta. Mas, quando não há uma família para ensinar uma jovem fêmea a criar seu próprio filhote, as coisas podem sair terrivelmente errado.”


Uma linda metáfora ressaltando a importância de aprendermos com os nossos iguais. Me lembrou de uma frase que escutei de uma sábia professora: Uma mãe não nasce necessariamente quando um filho nasce. Ela não nasce sabendo, ela aprende a ser.

E assim é na vida.
O melhor aprendizado é o exemplo.
 
Um livro que evidencia a  excelente pesquisa de conteúdo, além de reforçar a importância dos vínculos e a força do coletivo.

Gostei muito e recomendo a leitura.
 

Ana Paula




 
 
 

 
 


 

terça-feira, 28 de abril de 2020

VERITY




(cuidado, tem SPOILER aqui)

Ontem passei o dia em casa lendo.
 
Fazia tempo que um livro não me prendia a ponto de eu não largar antes do fim.
Que boa essa sensação de ter um lugar para onde ir, mesmo que seja a ficção.


"Verity Crawford é a autora best-seller por trás de uma série de sucesso. Ela está no auge de sua carreira, aclamada pela crítica e pelo público, no entanto, um súbito e terrível acidente acaba interrompendo suas atividades, deixando-a sem condições de concluir a história... E é nessa complexa circunstância que surge Lowen Ashleigh, uma escritora à beira da falência convidada a escrever, sob um pseudônimo, os três livros restantes da já consolidada série."

 
 
Amo Colleen Hoover e o livro de ontem (VERITY) foi o primeiro que ela escreveu no gênero thriller. Prende mesmo, até o fim. A escrita é muito fluida e envolvente, construindo a narrativa e amarrando todos os fios da história, com direito a voltas e reviravoltas.
 
O argumento é bom, bem construído e embasado, mas fiquei em duvida sobre a personalidade da Lowen. Parece que algo não bate.... desde o inicio. Ela é a típica coitadinha, mal amada pela mãe, só que não. Ela tem uma postura forte com relação ao seu profissional e aos homens, bem decidida e nada insegura. Não bate.
Da mesma forma o Jeremy, marido de Verity. Bom demais pra ser verdade, sabe? Lá pela metade  do livro eu já estava me questionando sobre a real personalidade dele.
E, para não deixar de fora, a nossa vilã muito bem embasada e contundente, se mostra a mocinha- só que não também. Nada é preto no branco.
Assim como os seres humanos, nada é 100% certo ou 100% errado.
Me questiono como uma pessoa pode continuar fingindo estar moribunda mesmo quando alguém está tentando asfixiá-la. Sem reação? Não, né!
 
No fim, o que fica pra mim é que a PALAVRA tem um poder avassalador.
Ela pode curar, mas também pode matar. Isso foi o mais impactante para mim, pois foi a partir de um manuscrito (aparentemente um mero exercício criativo), que toda a tragédia se inicia.
Sim, eles haviam perdido uma filha antes, mas isso poderia ter sido superado, não fosse a confissão através da ficção feita pela Verity de todos os outros crimes e/ou tentativas de assassinatos. Jeremy a encontra e tira conclusões precipitadas, sem deixar que ela explique. Eu não sei se deixaria também, afinal estava tudo escrito com riqueza de detalhes, explicações eram desnecessárias. A partir dai a reação dele é essencialmente vingativa. Ele planeja um acidente que pretende ser fatal para se livrar da esposa.
Ao contrário disso, ela é resgatada com vida com danos cerebrais graves, sem resposta neurológica, ao menos é o que os médicos atestam- aí outro furo da história- como assim? Ela recupera todas as funções assim que acorda do COMA, mas nenhum exame é capaz de detectar? 
Após receber alta do hospital, Jeremy se compadece- ou seja lá qual for o motivo- e a leva para ser cuidada por ele, em casa. Culpa ou penitência?

A carta escrita por ela esclarecendo toda a verdade é de uma clareza absurda....em poucas palavras precisamos deixar a imagem construida de vilã de lado e reorganizar os nossos pensamentos de maneira a compreender os motivos que a levaram a agir assim.
Mas, não se consegue entender qual o medo real dela em deixar o filho com o pai. Um pai comprovadamente dedicado e amoroso? 

Eu, se fosse ela,teria me mandado assim que possível- sim, tinha a cópia do manuscrito que ela precisaria recuperar antes de ir, para não ser acusada de assassinato.
Mas... levar o filho? Não se justifica a necessidade.

No decorrer do livro a personalidade de Verity vai sendo construída de maneira a imaginarmos um monstro frio e sem coração.
No entanto, é muito rápida a transição final, não ficando muito factível.

O que também não me pareceu muito lógica foi a atitude da Lowen de dar fim à carta- por amor- para proteger o homem que ama. Mesmo sabendo que ele é um assassino- e que no fundo ela é sua cúmplice. Isso é forte.
Outra ponta solta no perfil da personagem.

Mais uma vez, destoando da narrativa de coitadinha que tem medo de seu sonambulismo, atormentada pela mãe.
 
Uma história muito boa que adorei ter lido, mas talvez por ser sua primeira experiência no gênero, existem pontos obscuros e um tanto quanto inverossiveis que comprometem a experiência do leitor.


Repito, amo Colleen Hoover, por isso super recomendo a leitura.
 
 
 
Ana Paula