quarta-feira, 6 de junho de 2018

A LUZ QUE PERDEMOS

A Luz Que Perdemos
 
Nem todo mundo encontra o verdadeiro amor. Uns se apaixonam muitas vezes ao longo da vida. Vivem experiências únicas com pessoas diferentes. Outros se escondem delas, com medo de se sentirem vulneráveis. Não se entregam de jeito nenhum....Mas poucos tem a sorte de encontrar a alma gêmea.

Como se o mundo inteiro estivesse a nossa disposição, tudo pudesse ser conquistado e todo dia fosse repleto de maravilhas. Talvez porque nos abrimos para alguém. nos deixamos penetrar pelo outro. Ou talvez amar seja se doar tão profundamente à outra pessoa que o coração da gente se expande.”

Lucy e Gabe eram colegas na faculdade, em um dia que mudaria para sempre a vida eles- e do mundo inteiro-  durante a aula foram surpreendidos pelo choque do primeiro avião com as torres gêmeas. Ainda sem saber ao certo do que se tratava e, portanto sem a noção da gravidade dos eventos que se sucederiam, sem sinal nos celulares, ele a convida para ver a cidade do alto de um prédio...  Aos poucos as fichas vão caindo....
Em meio à destruição e à morte: a descoberta do amor.
Talvez por estarem compartilhando juntos aquele momento histórico, (talvez não), aflora entre os dois uma conexão imediata.
Nada é por acaso.... nem o acaso.

O que afinal faz com que as almas se reconheçam?
E quando finalmente se reconhecem, o que faz com que não se bastem?
Sorte, azar, destino, livre-arbitrio? 

Gabe tem a alma livre de um artista. Sonha ser fotógrafo jornalístico internacional e percorrer o mundo fazendo a diferença através da sua lente. Lucy, é uma editora dedicada e um pouco mais pé-no-chão,  que sonha em se realizar profissionalmente e ser feliz com ele, seu grande amor.  Eles vivem uma linda história juntos ,são felizes e um dia, o desejo de Gabe fala mais alto. Ele parte em busca de seus sonhos, deixando Lucy arrasada e destruída.  A vida segue, ela foca na carreira e faz de tudo para esquecer Gabe, ou pelo menos, guardá-lo em algum lugar seguro dentro do coração.

Em uma das muitas tentativas de suas amigas para mantê-la animada, durante um verão, ela conhece Darren. Um cara mais velho, boa pinta.... divertido, persistente, paciente e (principalmente) deixa espaço para que a amizade entre eles se transforme (aos poucos) em algo mais.

Finalmente Lucy consegue  se abrir para mais alguém. Darren é o genro que toda a sogra pediu a Deus.... o filho amoroso, o marido dedicado, o amigo querido....Não, ele não é perfeito, ele tem seus defeitos também.... tem uma mania que deixa Lucy bastante incomodada de fazer surpresa.... É que, apesar de entender que essa é a sua forma de amar, Lucy preferia ser consultada....sobre a cachorra, a casa, a viagem de férias  e tudo o mais que envolva a vida a dois.

Ele tem listas para tudo: planeja a vida, a casa, a família...o futuro.
Ela gostaria de se sentir especial, como se sentia com Gabe, que sempre volta nas suas lembranças...

Mesmo sem nunca mais terem se encontrado, os dois continuam conectados, como se orbitassem um na vida do outro, mesmo separados por oceanos.  Ela vibra a cada conquista dele....ele acompanha o trabalho dela à distancia torcendo sempre.  Um dia acontece o reencontro em uma festa da faculdade- ela grávida de sua primeira filha. Mesmo tendo trocado apenas algumas palavras, a eletricidade entre os dois está ali.

Dois filhos depois e no meio de uma crise no casamento de quase 10 anos, em que ela desconfia que Darren a está traindo, Lucy se encontra com Gabe e finalmente se entrega ao desejo que ambos sentem.  Passam juntos uma tarde de amor inesquecível...revisitam lugares que só os dois conhecem e, sem promessas, desejam que desta vez pudesse ser diferente para eles.  Ele a convida para morar em Jerusalem, ela queria pedir para que ficasse com ela em Manhatan, mas não pede.

Ao chegar em casa mais tarde naquele mesmo dia, Darren a surpreende mais uma vez. Confessa que a mulher com quem ele vem falando ultimamente ( e motivo da desconfiança dela) é uma corretora de imóveis e que ele comprou a casa onde os dois se conheceram..... num misto de culpa, gratidão, felicidade e....muitas outras coisas, ela se entrega ao marido que ama (também). Neste dia ela engravida de seu terceiro filho.

 A maneira como as pessoas interpretam uma situação muitas vezes revelam mais sobre ela do que sobre a situação em si. Vemos tudo através do filtro dos nossos próprios desejos, arrependimentos, expectativas e temores.”

Dois meses depois, no meio do trabalho- entre um enjoo e outro- ela recebe uma chamada internacional dizendo que Gabe havia sofrido um atentado e estava gravemente ferido.

E a vida então novamente se coloca em perspectiva....

Um livro sensivel que fala sobre o amor, sobre a liberdade e sobre....algo maior.

 

Beijos e boa leitura

Ana Paula

domingo, 3 de junho de 2018

É ASSIM QUE ACABA


 
Lily  nasceu e morou no interior convivendo com a violência doméstica. Seu pai batia em sua mãe, que para seu desespero, desculpava sempre por amor (ou falta de amor próprio). 
Aos 15 anos, a adolescência não era exatamente um momento tranquilo, para ela. Um dia, de sua janela, ela percebe movimentos na casa abandonada dos fundos e conhece Atlas- atravessando o pior momento da sua vida, também vitima de violência e abandono. Escondido de todos, Lily sente uma necessidade instantânea de ajudar Atlas a sobreviver em meio a situações tão adversas.

Ela sem saber, salva sua vida naquele momento.
A amizade secreta entre os dois vai aos poucos crescendo e se transforma no primeiro amor. Aquele que fica marcado pra sempre...no corpo e na alma.
O destino, no entanto traça caminhos distintos para eles, que acabam separados e perdendo o contato. Atlas agarra a única oportunidade que tem na vida e vai para Boston servir na marinha e ser criado pelo tio. Lily, continua morando com os pais e anos depois, ao se formar, também se muda para Boston com o sonho de montar seu próprio negócio: uma floricultura.
Atravessando um momento critico, pela perda do pai, ela conhece por acaso um homem por quem sente uma atração imediata: Riley. Residente de medicina, focado e sem interesses em relacionamentos, os objetivos dos dois são bem distintos. Lily quer um namorado e deixa claro isso. A vida dá voltas, por uma coincidência, a irmã de Riley vai trabalhar com ela na floricultura e se torna sua melhor amiga, aproximando mais uma vez os dois. A convivência e o jeitinho de Lily derrubam as barreiras de Riley e ele finalmente está pronto para se comprometer em um relacionamento.  A felicidade não poderia ser maior, nem mais perfeita. Os dois se casam....e então os problemas começam.
Ao jantar com Riley no novo restaurante da cidade, Lily reencontra Atlas, agora chef e dono do badalado lugar. Ela sente um misto de alegria e tristeza. Alegria por saber que ele “Continuou Nadando, não desistiu” e tristeza por não entender porque ele não a procurou... Incomodada com essas questões, (como forma de não macular essa lembrança), ela guarda para si. Decide não dividir sua história antiga com Riley , que fica furioso quando descobre.
Em um momento de raiva, ele a empurra “sem querer” e ela bate o rosto ficando com um hematoma enorme. A dor física não se compara à que ela sente internamente. Ela não quer acreditar que está no mesmo lugar que tanto criticou sua mãe, no passado. As coisas se acalmam e ela acaba se convencendo de que foi "apenas" um “acidente”. Ele pede desculpas e promete ser mais cuidadoso.
Ela, apaixonada, acredita.
Só que....
Colleen Hoover é mesmo incrível – gosto demais dela- e principalmente neste livro ao abordar um tema pesado de forma tão humana fazendo uma Lily forte que serve  de incentivo para muitas mulheres vitimas de qualquer tipo de violência.
O amor que machuca não é amor.
É um grande ensinamento de empatia e não julgamento.
De aprender sobre o que merecemos...e não merecemos.
E principalmente, da descoberta do que é  amor de verdade!
Aquele que realmente importa que é,ao mesmo tempo, o fim e o começo!
 
Recomendo!
Beijos e boa leitura
Ana Paula

QUANTO MAIS RÁPIDO EU ANDO, MENOR EU SOU



 
 
Pra que a pressa?
Aos quase cem anos, Mathea chegou a um ponto da vida em que o caminho percorrido é infinitamente maior do que o disponível pela frente. Em momentos como esse, independente da idade, surgem algumas (inevitáveis) dúvidas:

Será que eu realmente vivi a vida que valia a pena viver?

Será que partirei deixando a marca da minha existência?

Qual foi a minha contribuição?
“Pela janela, observo os apartamentos do prédio em frente. É estranho imaginar a quantidade de moradores que vivem suas vidas sem jamais ter se dado conta da nossa existência, minha e de Épsilon. Mas para que servem vizinhos, afinal?”
Quanto mais rápido ando, menor eu sounos convida a fazer esse questionamento. É uma oportunidade de nos colocarmos novamente “em movimento” entendendo que o foco é mais importante do que a velocidade. Afinal, desde que nascemos só temos uma certeza na vida: a linha de chegada! Então, pra que a pressa? Um dia a gente chega lá!
Tenho impressão de que Buda queria transmitir uma mensagem oculta quando proclamou a falta de sentido da realidade terrena e eu mesma não nutro mais esperanças; furtei coisas do supermercado, perdi tempo  com Age B, enterrei uma capsula do tempo, fiz pãezinhos, acendi o forno, tentei planejar o meu próprio enterro, tentei transformar-me numa árvore, e o mais difícil de tudo isso, usei o telefone muito mais do que eu imaginava ser capaz de fazer, e ainda assim aqui estou enfurnada num apartamento, temendo tanto a morte quanto a própria vida. Não foi Buda que afirmou que tudo é sofrimento?
Se eu fosse uma pessoa religiosa, seria Budista. “
 
 
Ao contrário do que possa parecer, a abordagem é leve e divertida, garantindo boas risadas sobre temas incomodos como solidão e morte.
A escrita de Kjersti Skomsvold é gostosa de ler, com uma narrativa que nos coloca sob a perspectiva de Mathea. As  histórias são contadas em primeira pessoa conectando pensamentos e reavivando memórias sem ordem cronológica, mas que vão situando, aos poucos, o leitor.

Este desabafo é na verdade um legado. É a busca por sentido e a forma que a personagem encontra de dividir com “alguém” a sua vida.

Recebi este livro de presente e realmente foi uma bela surpresa.
 
 
Beijos e boa leitura!
Ana Paula