Pra que a pressa?
Aos quase cem anos, Mathea chegou a um ponto da vida em que o
caminho percorrido é infinitamente maior do que o disponível pela frente. Em
momentos como esse, independente da idade, surgem algumas (inevitáveis) dúvidas:
Será
que eu realmente vivi a vida que valia a pena viver?
Será que partirei deixando
a marca da minha existência?
Qual foi a minha contribuição?
“Pela janela,
observo os apartamentos do prédio em frente. É estranho imaginar a quantidade de
moradores que vivem suas vidas sem jamais ter se dado conta da nossa
existência, minha e de Épsilon. Mas para que servem vizinhos, afinal?”
“Quanto mais rápido ando, menor eu sou” nos convida a fazer esse
questionamento. É uma oportunidade de nos colocarmos novamente “em movimento” entendendo
que o foco é mais importante do que a velocidade. Afinal, desde que nascemos só
temos uma certeza na vida: a linha de chegada! Então, pra que a pressa? Um dia
a gente chega lá!
“Tenho impressão de que Buda queria transmitir uma mensagem oculta
quando proclamou a falta de sentido da realidade terrena e eu mesma não nutro
mais esperanças; furtei coisas do supermercado, perdi tempo com Age B, enterrei uma capsula do tempo, fiz pãezinhos,
acendi o forno, tentei planejar o meu próprio enterro, tentei transformar-me
numa árvore, e o mais difícil de tudo isso, usei o telefone muito mais do que
eu imaginava ser capaz de fazer, e ainda assim aqui estou enfurnada num
apartamento, temendo tanto a morte quanto a própria vida. Não foi Buda que
afirmou que tudo é sofrimento?
Se eu fosse uma pessoa religiosa, seria Budista.
“
Ao contrário do que possa parecer, a abordagem é leve e
divertida, garantindo boas risadas sobre temas incomodos como solidão e morte.
A escrita de Kjersti Skomsvold é gostosa de ler, com uma narrativa que nos coloca sob
a perspectiva de Mathea. As histórias
são contadas em primeira pessoa conectando pensamentos e reavivando memórias
sem ordem cronológica, mas que vão situando, aos poucos, o leitor.
Este
desabafo é na verdade um legado. É a busca por sentido e a forma que a personagem encontra de dividir com “alguém” a sua vida.
Recebi este livro de presente e realmente foi uma bela
surpresa.
Beijos e boa leitura!
Ana Paula

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