domingo, 3 de junho de 2018

QUANTO MAIS RÁPIDO EU ANDO, MENOR EU SOU



 
 
Pra que a pressa?
Aos quase cem anos, Mathea chegou a um ponto da vida em que o caminho percorrido é infinitamente maior do que o disponível pela frente. Em momentos como esse, independente da idade, surgem algumas (inevitáveis) dúvidas:

Será que eu realmente vivi a vida que valia a pena viver?

Será que partirei deixando a marca da minha existência?

Qual foi a minha contribuição?
“Pela janela, observo os apartamentos do prédio em frente. É estranho imaginar a quantidade de moradores que vivem suas vidas sem jamais ter se dado conta da nossa existência, minha e de Épsilon. Mas para que servem vizinhos, afinal?”
Quanto mais rápido ando, menor eu sounos convida a fazer esse questionamento. É uma oportunidade de nos colocarmos novamente “em movimento” entendendo que o foco é mais importante do que a velocidade. Afinal, desde que nascemos só temos uma certeza na vida: a linha de chegada! Então, pra que a pressa? Um dia a gente chega lá!
Tenho impressão de que Buda queria transmitir uma mensagem oculta quando proclamou a falta de sentido da realidade terrena e eu mesma não nutro mais esperanças; furtei coisas do supermercado, perdi tempo  com Age B, enterrei uma capsula do tempo, fiz pãezinhos, acendi o forno, tentei planejar o meu próprio enterro, tentei transformar-me numa árvore, e o mais difícil de tudo isso, usei o telefone muito mais do que eu imaginava ser capaz de fazer, e ainda assim aqui estou enfurnada num apartamento, temendo tanto a morte quanto a própria vida. Não foi Buda que afirmou que tudo é sofrimento?
Se eu fosse uma pessoa religiosa, seria Budista. “
 
 
Ao contrário do que possa parecer, a abordagem é leve e divertida, garantindo boas risadas sobre temas incomodos como solidão e morte.
A escrita de Kjersti Skomsvold é gostosa de ler, com uma narrativa que nos coloca sob a perspectiva de Mathea. As  histórias são contadas em primeira pessoa conectando pensamentos e reavivando memórias sem ordem cronológica, mas que vão situando, aos poucos, o leitor.

Este desabafo é na verdade um legado. É a busca por sentido e a forma que a personagem encontra de dividir com “alguém” a sua vida.

Recebi este livro de presente e realmente foi uma bela surpresa.
 
 
Beijos e boa leitura!
Ana Paula

 

 

 

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