segunda-feira, 7 de maio de 2018

A AMIGA GENIAL

A Amiga Genial

NEM AMIGA, NEM GENIAL



O livro "A Amiga Genial" de Elena Ferrante começa com um mistério que promete ser o mote principal da narrativa e termina sem chegar nem perto de uma chave para esclarecê-lo.
Me pergunto se esse fato não teria sido completamente desnecessário para contar a história que se desenvolve a seguir, apresentando ao leitor a vida de seus personagens principais (Lila e Lenu), suas origens pobres e violentas e seus vínculos?
Vou ser obrigada a discordar da grande maioria que achou maravilhoso.
Eu, não gostei!
Li até o final na vã esperança de que melhorasse à medida que a história fosse evoluindo, mas não. A cada página, a cada novo acontecimento, a sensação se reforçava. A leitura não me prendia.

Gosto de livros que me instiguem,me despertem, me mostrem caminhos, possibilidades....poesia. Gosto de frases inteligentes e bem construidas que me chamem a atenção pela beleza e conteúdo (e isso definitivamente, não se encontra neste livro).

Do que eu não gostei?
Acho que de tudo: do enredo, da narrativa, dos milhões de personagens com nomes-sobrenomes-profissões totalmente desnecessários- confusos e problemáticos- da agressividade vigente, da falta de afeto, da realidade dura, da violência, do machismo, da competição acirrada, da eterna disputa e da amizade doentia entre as duas, enfim....de tudo ou melhor, de nada.
Tenho certeza de que essa foi a intenção da escritora, no entanto os mesmos elementos poderiam ter sido muito mais interessantes se abordados de outra forma; faltou filtro, suavidade e encanto em suas palavras que traduziram “A verdade Nua e Crua” ou “A Vida Como Ela É”, parafraseando Nelson Rodrigues.


A vida era assim e ponto final, crescíamos com a obrigação de torna-la difícil aos outros antes que os outros a tornassem difícil para nós


Para mim de genial a personagem Elena/Lenu- cuja passividade e baixa auto estima me incomodaram bastante - não tem nada, a não ser a grande vontade de superar sua melhor amiga Lila, que aliás, caso escrevessem um livro sobre ela, deveria se chamar “A Amiga Má”.
Quantas vezes me deu raiva desta personagem....pela sua maldade implícita, pela inveja, pela cobiça, pelo interesse desmedido, pelo distanciamento, pela frieza. No meu ponto de vista, isso passa longe de amizade.
É pura e simplesmente uma relação de co-dependencia e de maldades latentes pautadas pela necessidade de sobrevivência de como a vida se apresentava.


Era como se, por uma magia malévola, a alegria ou a dor de uma implicasse a dor ou a alegria da outra


Um elo que as unia e as repelia ao mesmo tempo, com fortes traços de admiração e desejo sexual não revelado. Que aliás, caso fosse assumido teria saído da mesmice, dado uma reviravolta na narrativa sombria e com certeza oferecido um outro colorido à trama.

Enfim, não que eu seja uma critica literária, mas não achei minimamente atraente a escrita de Elena Ferrante e minha curiosidade não foi sequer despertada para que eu tivesse vontade de esclarecer o “grande” mistério lendo o segundo livro da tetralogia.(4?!!!) -
“Onde estará Lila?”

Li tanta resenha positiva sobre A Amiga Genial que me sinto até sem graça em dizer isso, mas é minha opinião pessoal. Fiquem à vontade para lerem, tirarem as suas próprias conclusões e discordarem de mim (ou não).

Afinal esta é uma das infinitas delicias de ler....

Boa leitura,
Bjs ANA PAULA

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