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Uma leitura rica em todos os sentidos
Adoro quando um livro me permite conhecer outras culturas e comportamentos. Quando consigo acessar a personagem através da emoção e da empatia. A leitura de Hibisco Roxo em parte não atingiu esse objetivo, não me levou para esta Nigéria que eu esperava encontrar através de Kambili... ou talvez eu como leitora tenha me negado a embarcar na aventura, numa nítida negação de compactuar com um mundo onde a violência, a pobreza e a agressividade estão presentes do inicio ao fim e as perspectivas são mínimas.
Não sei dizer se foi devido à elevada expectativa em torno do livro, ou simplesmente por eu não ter gostado mesmo de Kambili, mas o fato é que por muitas vezes causou-me um extremo mal estar ao me imaginar em “sua pele”, naquela família com tantas regras, medos, exigências, tendo um pai autoritário e exigente que usava a religião como desculpa para tudo e a figura feminina de uma mãe fraca, submissa e permissiva.
Um lar onde demonstrações de afeto eram justificadas por surras e punições, sem nenhuma empatia ou amor, com muito sofrimento.
Onde a vida no real sentido da palavra não era permitida.
Outra coisa que me incomodou bastante foram os termos inseridos em "igbo" (idioma local) ao longo da narrativa, confundindo e complicando a compreensão ao invés de enriqueça-la.
Não posso dizer que a história não me prendeu, sem duvida que sim, mas ela realmente começou a me conquistar quando entra em cena a tia Ifeoma. Esta sim merece todos os méritos da história. Que personagem! Quantas lições ela nos ensina, quanta força e amor ela deu àquela família.
Me agradam personagens fortes, principalmente as femininas, pois elas tem um poder transformador enorme dentro do núcleo familiar e do mundo.
Não posso dizer que esperava por esse fim, mas no entanto não me surpreendeu, depois de tanta atrocidade e fanatismo, ele até que que é condizente com o todo.
Uma leitura importante apesar de densa, pois nos gera incomodação e por isso mesmo, nada fácil de digerir. Nos faz olhar para um mundo diferente do que que consideramos “padrão” e questionar verdades absolutas.
Desacomoda, mas também abre espaço para novos horizontes e paradigmas....
Uma leitura rica, em todos os sentidos.
Recomendo,
beijos
Ana Paula
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